quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Projeto África e Brasil Africano da EE Tiradentes no Amapá

a)Título: África e Brasil Africano
b) Período de Realização: Outubro a Novembro
c) Síntese:
O Projeto África e Brasil Africano com seus respectivos sub-temas, em torno dos quais se desenvolve todo o trabalho ,é resultante da construção coletiva de alunos e professores, a partir de uma discussão interdisciplinar, que ganha espaço e se torna um foco de estudo,ensaio,debate  ,superação, que culmina na apresentação e exposição pública dos resultados.
O Projeto encontra-se na sua 4ª edição. Surgiu em decorrência da solicitação da Lei 10.639/03,  que prevê a inclusão do ensino da história e cultura afro-brasileira no currículo escolar.
No ano de 2010, ampliou-se para todas as áreas de conhecimento e é computado como uma média parcial do 4º bimestre.
Cada turma tem um professor – coordenador, responsável desde a discussão para a escolha do sub-tema, até a avaliação final, cujo resultado é decorrente de um processo, acompanhado através de uma ficha avaliativa, divulgado para todos os professores daquela turma, a fim de ser considerado  na computação da média do bimestre.

d) Justificativa
A escola Estadual Tiradentes através das áreas de Linguagens e Códigos e Humanas, cria o Projeto África e Brasil Africano para atender a solicitação da Lei 10.639/03  que prevê a inclusão do ensino da história e cultura afro-brasileira no currículo escolar – Sancionada em 09 de janeiro de 2003 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em fase de implementação.
e) Objetivo Geral: Aproximar os alunos da Escola Estadual Tiradentes da luta pelo reconhecimento dos negros no Brasil, da cultura negra brasileira e da importância do negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política, pertinentes à História do Brasil, por meio da produção de uma publicação elaborada por eles para comu­nicar o que foi aprendido.
Objetivos específicos:
·          Refletir e superar manifestações de atitudes de preconceito de discriminação racial ainda existentes nas escolas;
·         Sentir orgulho da sua etnia, melhorando sua auto-estima;
·         Respeitar as manifestações das idéias (produções e falas) dos colegas e de outras pessoas.
·         Valorizar os locais de exposição como mais um espaço de aprendizagem.
·         Valorizar as diferentes formas de produção artística e cultural.
·         Saber comunicar de forma organizada e planejada aquilo que aprendeu
      f) Contextualizando:
Os negros constituem uma parcela considerável da população amapaense e mesmo assim, ainda são vítimas da miséria, da hostilidade e discriminação de outras etnias.Precisamos resgatar a história desse povo e assim recuperar ou internalizar o respeito e a auto-estima que julgamos importante para a sua emancipação social e econômica.
g) Descrição clara e detalhada da atividade e/ou projeto
1-Em reunião de caráter multidisciplinar, decide-se sobre a culminância do projeto, que geralmente ocorre em dois dias, um para organização e ornamentação do espaço e outro para a execução das ações previstas.
2-Os professores interessados tornam-se mediadores nas turmas envolvidas;
3-Organiza-se um calendário de reuniões para discutir e deliberar sobre o projeto. Nessas reuniões definem-se critérios de participação e avaliação de alunos e professores, espaços que serão utilizados para ensaios e apresentações, comissões responsáveis pela divulgação e coordenação do lanche, limpeza,elaboração de fichas de avaliação.Elabora-se um mapa para orientar o espaço onde serão desenvolvidas as atividades relacionadas aos sub-temas no dia da culminância.
4-Solicita-se a elaboração de um projeto, por turma, a fim de capacitar os alunos nesse sentido e fazê-los compreenderem melhor a importância do tema.
5- A comissão organizadora, eleita entre os pares das áreas de Humanas e Linguagens e Códigos, disponibiliza na sala dos professores, um cartaz contendo um quadro de turmas, em que o(a) professor(a), identifica àquela na qual será o coordenador.
O professor – coordenador, torna-se responsável, desde a discussão para a escolha do sub-tema, até a avaliação final, cujo resultado é decorrente de um processo, acompanhado através de uma ficha avaliativa, divulgado para todos os professores.

h) Resultados obtidos:
Pelos  alunos:
-Respeito aos diferentes grupos e culturas que compõem o contexto étnico brasileiro, estimulando a convivência dos diversos grupos e a valorização  da cultura africana.
-enriquecimento cultural através das danças, contos, painéis, pesquisa,exposições,música, etc...
- respeito às manifestações das idéias (produções e falas) dos colegas e de outras pessoas.
-elaboração de projetos de trabalho.
-organização dos espaços, respeitando o espaço dos outros grupos.
-comunicação de forma organizada e planejada daquilo que aprendeu;
-tomada de  consciência e aquisição de conhecimento;
-Identificação  dos seus direitos enquanto cidadãos;
Pelos organizadores:
-Adesão de professores da área de Ciências;
-Trabalhos mais bem produzidos e apresentados.
i) Avaliação:
A avaliação é decorrente de um processo que inicia pela discussão do tema à eleição do sub-tema, em seguida, a elaboração do projeto de trabalho, a pesquisa, a produção de material, ensaios, até a culminância.
A comissão organizadora, eleita entre os pares das áreas de Humanas e Linguagens e Códigos, disponibiliza na sala dos professores um cartaz contendo um quadro de turmas em que o(a) professor(a) identifica a turma em que será o coordenador.
O professor – coordenador, torna-se responsável, desde a discussão para a escolha do sub-tema, até a avaliação final, cujo resultado é decorrente de um processo, acompanhado através de uma ficha avaliativa, divulgado para todos os professores daquela turma, a fim de ser considerado  na computação da média do bimestre.
São utilizadas duas fichas avaliativas, uma para avaliar atividades de palco e outra para avaliar atividades de pesquisa, com apresentação em stands. Cada item recebe um valor em pontos que vai de 0,0 a 1,0.
Constituem  itens observáveis nas fichas:
1-Atividades de palco 1-Elaboração do roteiro, 2-Engajamento do grupo, 3-Qualidade do material produzido(cenário, figurino), 4-Criatividade  e Qualidade na apresentação 5-Coerência no relatório.
2-Atividades de pesquisa(stands):1-Desenvolvimento da pesquisa, 2-Qualidade do material produzido,3-Engajamento e Capacidade de trabalhar em grupo,4-Atendimento ao publico, 5-Clareza das informações;6-Montagem e desmontagem do material e equipamentos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Contaminantes emergentes na água

Contaminantes emergentes na água 30/9/2010 11:09:35

Por Fabio Reynol - Agência Fapesp

Durante a década de 1990, houve uma redução na população de jacarés que habitava os pântanos da Flórida, nos Estados Unidos. Ao investigar o problema, cientistas perceberam que os machos da espécie tinham pênis menores do que o normal, além de apresentar baixos índices do hormônio masculino testosterona.

Os estudos verificaram que as mudanças hormonais que estavam alterando o fenótipo dos animais e prejudicando sua reprodução foram desencadeadas por pesticidas clorados empregados em plantações naquela região.

Esses produtos químicos eram aplicados de acordo com a legislação norte-americana, a qual estabelecia limites máximos baseados em sua toxicidade, mas não considerava a alteração hormonal que eles provocavam, simplesmente porque os efeitos não eram conhecidos.

Assim como os pântanos da Flórida, corpos d’água de vários pontos do planeta estão sendo contaminados com diferentes coquetéis que podem conter princípios ativos de medicamentos, componentes de plásticos, hormônios naturais e artificiais, antibióticos, defensivos agrícolas e muitos outros em quantidades e proporções diversas e com efeitos desconhecidos para os animais aquáticos e também para pessoas que consomem essas águas.

“Em algumas dessas áreas, meninas estão menstruando cada vez mais cedo e, nos homens, o número de espermatozóides despencou nos últimos 50 anos. Esses são alguns problemas cujos motivos ninguém conseguiu explicar até agora e que podem estar relacionados a produtos presentes na água que bagunçam o ciclo hormonal”, disse Wilson Jardim, professor titular do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O pesquisador conta que esses contaminantes, chamados emergentes, podem estar por trás de vários outros efeitos relacionados tanto à saúde humana como aos ecossistemas aquáticos.

“Como não são aplicados métodos de tratamento que retirem esses contaminantes, as cidades que ficam à jusante de um rio bebem o esgoto das que ficam à montante”, alertou o pesquisador que coordena o Projeto Temático “Ocorrência e atividade estrogênica de interferentes endócrinos em água para consumo humano e em mananciais do Estado de São Paulo”.

O aumento no consumo de cosméticos, de artigos de limpeza e de medicamentos tem piorado a situação, de acordo com o pesquisador, cujo grupo encontrou diversos tipos de produtos em amostras de água retirada de rios no Estado de São Paulo. O antiinflamatório diclofenaco, o analgésico ácido acetilsalicílico e o bactericida triclosan, empregado em enxaguatórios bucais, são apenas alguns exemplos.

A esses se soma uma crescente coleção de cosméticos que engorda o lixo químico que vai parar nos cursos d’água sem receber tratamento algum. “Estima-se que uma pessoa utilize, em média, dez produtos cosméticos e de higiene todos os dias antes mesmo de sair de casa”, disse Jardim.

Sem uma legislação que faça as empresas de distribuição retirar essas substâncias tanto do esgoto a ser jogado nos rios como da água deles captada, tem sido cada vez mais comum encontrar interferentes hormonais nas torneiras das residências. Os filtros domésticos disponíveis no mercado não dão conta dessa limpeza.

“Os métodos utilizados pelas estações de tratamento de água brasileiras são em geral seculares. Eles não incorporaram novas tecnologias, como a oxidação avançada, a osmose inversa e a ultrafiltração”, disse o professor da Unicamp, afirmando acreditar que tais métodos só serão incorporados pelas empresas por meio de uma legislação específica, uma vez que eles encareceriam o tratamento.

Peixes feminilizados

Uma das primeiras cidades a enfrentar esse tipo de contaminação foi Las Vegas, nos Estados Unidos. Em meio a um deserto, o município depende de uma grande quantidade de água retirada do lago Mead, o qual também recebe o esgoto da cidade.

Apesar de contar com um bom tratamento de esgoto, a água da cidade acabou provocando alterações hormonais nas comunidades de animais aquáticos do lago, com algumas espécies de peixes tendo apresentado altos índices de feminilização. Universidades e concessionárias de água se uniram para estudar o problema e chegaram à conclusão de que o esgoto precisava de melhor tratamento.

“Foi uma abordagem madura, racional e que contou com o apoio da população, que se mostrou disposta a até pagar mais em troca de uma água limpa desses contaminantes”, contou Jardim.

Alterações como o odor na água são indicadores de contaminantes como o bisfenol A, produto que está presente em diversos tipos de plásticos e que pode afetar a fertilidade, de acordo com pesquisas feitas com ratos no Instituto de Biociências do campus de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Jardim alerta que o bisfenol A é um interferente endócrino comprovado que afeta especialmente organismos em formação, o que o torna perigoso no desenvolvimento endócrino das crianças. Além dele, a equipe da Unicamp também identificou atrazina, um pesticida utilizado na agricultura.

Não apenas produtos que alteram a produção hormonal foram detectados na pesquisa, há ainda outros que afetam o ambiente e têm efeitos desconhecidos no consumo humano. Um deles é o triclosan, bactericida empregado em enxaguatórios bucais cuja capacidade biocida aumenta sob o efeito dos raios solares.

Se o efeito individual de cada um desses produtos é perigoso, pouco se sabe sobre os resultados de misturas entre eles. A interação entre diferentes químicos em proporções e quantidades inconstantes e reunidos ao acaso produz novos compostos dos quais pouco se conhecem os efeitos.

“A realidade é que não estamos expostos a cada produto individualmente, mas a uma mistura deles. Se dois compostos são interferentes endócrinos quando separados, ao juntá-los não significará, necessariamente, que eles vão se potencializar”, disse Jardim.

Segundo ele, essas interações são muito complexas. Para complicar, todos os dados de que a ciência dispõe no momento são para compostos individuais.

Desenvolvido técnicas inéditas para tratamento dos olhos 4/10/2010 13:07:57

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma técnica para o transplante da membrana amniótica para a reparação da superfície ocular.

O tecido, obtido da placenta, possui propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias, além de ser considerado imunologicamente inerte.

Depois de coletado, o material pode ser conservado congelado em meio de cultura por meses, o que facilita a sua aplicação terapêutica.

A membrana amniótica se mostrou eficaz no tratamento da superfície ocular no caso de queimaduras, na síndrome de Stevens Johnson (forma grave de eritema bolhoso), no pterígio (espessamento vascularizado da conjuntiva) e na reparação dos afinamentos da córnea.

O trabalho é um dos resultados do projeto Reconstrução da superfície ocular, coordenada pelo professor Rubens Belfort Mattos Júnior, do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"A superfície ocular é muito importante em inúmeros aspectos. Procuramos abordar nesse projeto os aspectos básicos, clínicos e cirúrgicos dos problemas que afetam esse tecido", disse Belfort.

Células-tronco para tratamento dos olhos

Outro estudo envolveu a aplicação de células-tronco do limbo na regeneração da superfície da córnea.

"Não temos a necessidade de uma célula com pluripotencialidade, o que nos interessa são as funções ligadas ao olho nas quais a aplicação das células-tronco adultas do limbo apresentam bons resultados", disse Belfort.

Segundo ele, as células-tronco límbicas podem ser transplantadas de um olho saudável para o outro comprometido em um mesmo paciente ou ainda serem recebidas de outra pessoa.

Além do limbo, outras possíveis fontes de células-tronco são células da conjuntiva e dentes de leite. Um trabalho feito em parceria entre pesquisadores da Unifesp e do Instituto Butantan está experimentando células-tronco extraídas da polpa desses dentes também na reconstrução da superfície ocular.

A técnica de aplicação sobre a córnea é similar: o novo tecido cultivado em laboratório é aplicado sobre o olho, seguido de enxerto de membrana amniótica para proteger as células transplantadas.

Células-tronco do limbo

Outra vertente do projeto incluiu o cultivo em laboratório e o transplante das células-tronco do limbo para reparar a superfície ocular danificada, o que colocou a equipe da Unifesp em pé de igualdade com os grupos mais avançados no mundo nesse tipo de pesquisa, segundo Belfort.

"No mundo, poucos países estão no mesmo patamar. Itália, Alemanha, Inglaterra, Japão, Cingapura e Índia - e agora o Brasil - são os mais importantes", afirmou.

Delicadeza

O olho é revestido pela superfície mais especializada do corpo humano. Essa superfície é composta pelos epitélios da córnea, limbo e conjuntiva e necessita da lubrificação do filme lacrimal para manter sua função.

No limbo residem células-tronco que regeneram o epitélio compacto e transparente da córnea. O epitélio, por sua vez, é considerado o tecido mais ricamente inervado do ser humano. Na conjuntiva residem células produtoras de mucina e células do sistema imune, fundamentais para a defesa do olho.

Essa superfície altamente diferenciada e complexa pode ser alvo de diferentes tipos de agressões físicas, químicas e biológicas, que repercutem diretamente na função visual e qualidade de vida.

Estudar as estruturas envolvidas e desenvolver técnicas para contornar e evitar as chamadas doenças que acometem essa área nobre do corpo humano foi o grande objetivo da pesquisa.