terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Um dos problema enfrentados pelo país é a falta de empreededorismo, que pode ser notada pelo número de registros de patentes.

Brasil precisa investir mais em tecnologia e estimular o empreendedorismo, dizem especialistas
Mariana Tokarnia - Agência Brasil - 20/01/2013 - Brasília, DF
Falta aos pesquisadores brasileiros espírito empreendedor e melhor aproveitamento dos investimentos no setor de inovação tecnológica. Segundo especialistas que participaram do 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional dos Estudantes (UNE), o país precisa investir em tecnologia para se inserir na economia mundial.
“Inovação é algo essencial para qualquer país que queira se modernizar. Ou nos incorporamos à inovação ou vamos envelhecer como um país marginal do ponto de vista da inserção na economia mundial. Seremos menos ricos e teremos mais desigualdade social”, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Física (SBF), Celso Pinto de Melo.
Um dos problema enfrentados pelo país é a falta de empreededorismo, que pode ser notada pelo número de registros de patentes. Em 2011 o número de pedidos atingiu, em dezembro, a marca de 30 mil, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Um avanço, mas ainda inferior à China, que atinge a casa dos milhões em pedidos de registro de patentes.
“A China há 10 anos não registrava patentes. Hoje faz o processo reverso, registrado inclusive estrangeiros em seu território”, diz a presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Luana Bonone. Ela afirma também que, no Brasil, 80% dos investimentos em pesquisa são do Estado. “Os empresários brasileiros têm a característica de querer resultados imediatos. Não existem no país programas que atraiam esse investimento para as universidades”, complementa.
O representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) José Luiz de Lima Filho afirma ainda que os investimentos muitas vezes são mal aproveitados. Ele alerta para a necessidade de captar recursos, mas usá-los com qualidade. “Temos que gerar riqueza. Temos algumas produções que são vantajosas no Brasil como a soja e o açúcar. Ambos são vendidos como commodities cotados em Chicago. Não estamos colocando neles valor agregado. Não estamos investindo em tecnologia nessas áreas que temos vantagem.`
O estudante de Engenharia Eletrônica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Felipe Duque Belfort fez questão de compartilhar a experiência que teve nos Estados Unidos. Ele morou um ano em New Jersey, pelo programa Ciência sem Fronteira. “Quando estudei lá, tinha um indiano que trabalhava comigo no laboratório. Ele estava lá noite e dia. Mas, certa vez, parou de ir. Quando perguntei por ele, disseram que tinha aberto uma empresa exatamente com a tecnologia na qual estávamos trabalhando. Não vejo esse espírito nos brasileiros.”
O 14º Coneb da UNE acontece em Recife (PE) até segunda-feira (21). Este ano foram mais de 3,5 mil inscrições de entidades de todas as regiões do país. Sob o tema “A Luta pela Reforma Universitária: do Manifesto de Córdoba aos Nossos Dias”, o Coneb oferece debates e grupos de discussão sobre temas ligados às universidades e ao Brasil. Ao final, os delegados vão decidir os rumos e posicionamentos da UNE para 2013. O evento antecede a Bienal da UNE, espaço de diálogo de estudantes e movimentos culturais que, este ano, está em sua 8ª edição.

Bolsa no exterior cresce, mas só 12% estão em escola `top`

Bolsa no exterior cresce, mas só 12% estão em escola `top`
FÁBIO TAKAHASHI - Folha de São Paulo - 20/01/2013 - São Paulo, SP
Um dos principais programas do governo Dilma, o Ciência Sem Fronteiras já triplicou o número de universitários que estudam no exterior, financiados pela União. A maior parte dos beneficiados, porém, não está nas melhores faculdades do mundo.
Com base nos dados oficiais do programa, a Folha identificou para quais instituições os alunos de graduação ganharam bolsa, considerando os quatro países que mais receberam alunos (EUA, Portugal, Espanha e França).
Dos cerca de 8.000 graduandos, só 12% foram para universidades que integram uma lista considerada como de excelência pela própria Capes (um dos órgãos do Ministério da Educação que coordena o projeto).
Nos materiais informativos e publicitários, o governo afirma que financia os alunos para estudar nas `melhores universidades do mundo`.
Analistas ouvidos pela reportagem afirmam ser positiva a iniciativa de enviar alunos para o exterior, pois, com a experiência, eles podem melhorar o sistema brasileiro (na graduação, eles ficam fora até um ano e meio).
Um dos problemas, dizem, é usar recursos públicos para custear bolsas em escolas que estão até abaixo de brasileiras como USP e Unicamp.
Lançado em 2011, o programa deverá gastar R$ 3,2 bilhões até 2014, para custear 101 mil bolsas. O valor é equivalente a 70% do Orçamento da USP para este ano.
Rankings
Em seu site, a Capes afirma que `prioritariamente` os alunos devem ir para uma das cerca de 300 universidades de excelência --basicamente, elas estão entre as 200 melhores do mundo em dois dos principais rankings internacionais ou tiveram ao menos uma área com boa posição.
As listas consideradas são dos rankings britânicos THE (Times Higher Education) e QS (Symonds Quacquarelli).
Ao comentar os dados tabulados pela Folha, o órgão federal afirmou, porém, que os alunos estão `nas melhores instituições disponíveis`.
No projeto, o aluno não escolhe em qual universidade estudará. Ele aponta a área e o país. A vaga é obtida pelas instituições parceiras da Capes em cada país, segundo os postos oferecidos pelas instituições que aderiram à ação.
As seis escolas que mais receberam alunos, todas portuguesas, não estão na lista considerada como de excelência.
A campeã foi a Universidade de Coimbra (709 alunos), que não está entre as 400 melhores no THE (onde a USP é 158ª) e está em 385ª no QS. Depois vem a Universidade do Porto e a Técnica de Lisboa.
Entre as instituições bem avaliadas, a que mais recebeu alunos foi a Universidade de Barcelona (93 estudantes), posição 187ª no QS. Há ainda alunos nas líderes dos rankings mundiais, como MIT (4 bolsistas) e Harvard (6).

Reajuste em 30% das bolsas de mestrado e doutorado

Estudantes cobram reajuste de 30% nas bolsas de pós-graduação
Agência Brasil - Terra Educação - 21/01/2013 - São Paulo, SP
Estudantes de pós-graduação entregaram na noite de domingo ao ministro da Educação, Aloizio Mercadante, uma carta de reivindicações. A principal demanda é o reajuste em 30% das bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em 2012, houve um acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia para um aumento de 40% no valor das bolsas. No segundo semestre do ano passado, houve um reajuste de 10%. Os estudantes pedem a complementação do percentual.
O diretor de Políticas Educacionais da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e mestrando em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Machado, afirma que `sem que o pesquisador seja valorizado não tem como o Brasil projetar e organizar o seu desenvolvimento. A valorização do pesquisador é questão fundamental para pensar estrategicamente a situação brasileira`.
O valor da bolsa de estudos é R$ 1.350, para mestrado, e R$ 2 mil, para estudantes de doutorado. `Qualquer pessoa em início de carreira pode ganhar mais do que o valor da bolsa, o que nos estimula a continuar na universidade? Tem que gostar muito mesmo de pesquisar`, afirma Tamara Naiz da Silva, tesoureira da ANPG.
A entrega foi feita durante o 2º Encontro Nacional de Grêmios da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), evento sediado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) simultaneamente ao 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional dos Estudantes (UNE). Na manhã de ontem, o ministro conversou com os estudantes da UNE.
Com os secundaristas, na parte da tarde, o tema do debate foi a Lei de Cotas. `Se mais de 80% dos estudantes do Brasil são de escola pública, por que não 50% das vagas nas universidades serem destinadas a eles?`, questionou Mercadante arrancando aplausos dos cerca de 1,5 mil alunos presentes.
A estudante Isadora Faber, autora da página Diário de Classe, também participou do debate. Ela ficou conhecida por manter uma página na internet em que mostra os problemas e cobra melhorias na escola pública onde estuda, em Florianópolis.

domingo, 20 de janeiro de 2013

A ilusão de uma boa aula

A ilusão de uma boa aula
Cesar Augusto Dionisio
Você vai ao teatro. Senta-se na poltrona. As pessoas chegam. As luzes morrem. A cortina abre (ou “o pano sobe”, como se prefere falar no teatro). O palco incendeia o primeiro foco de luz. O personagem entra. Não é o ator que entra. É o personagem, possuído por uma divindade mitológica, enfeitiçado por uma varinha adestrada lá em Hogwarts, talvez a do próprio Harry Potter, abençoado pelos deuses do teatro. O ator morre para que o personagem viva e entre em cena para contar uma história. Histórias têm tempo e lugar, diferentes do tempo e lugar de quem vai assistir a peça. Acreditamos que estamos em outro tempo e lugar, transportados para bem longe da conta de telefone que venceu no dia 05 do mês passado, e também acreditamos em tudo o que é contado na nossa frente. O exterior se conecta com o interior. Fomos tão longe para nos encontrarmos. Uma longa viagem para dentro de nós a partir do que vemos e sentimos porque fomos provocados. Isto é catarse.
A produção da peça, do filme, o cheiro do teatro, o recém-chegado “3D”, o papel dos livros amarelados que, dizem, cansa os olhos mais demoradamente do que faz o papel branco – tudo isto para facilitar a catarse.
É verdade que o público do teatro está pronto, preparado, e quer acreditar que tudo aquilo é verdade. Não é. Mas aquela mentira que se torna verdade (ou aquela verdade que se torna mentira) permanecerá. O público da televisão jura, ajoelhado no milho, que os personagens da tela são reais. Real e doída é a vida de quem assiste novela. Mas ver a dor alheia, ainda que inventada, talvez alivie a nossa, ou a aumente. Sofro com Violeta quando ela chora por Alfredo em La Traviata.
A leitura de um bom livro não nos é diferente. Se for audiolivro, aí a chance da catarse aumenta e estamos prontos para cair num precipício de imaginação que anula quem somos para ouvir uma história e acreditar nela. Esse deve ser também um princípio de uma boa aula. O aluno de ensino superior que leva o chefe e a família toda para a sala de aula, discretamente escondidos entre seus fios de cabelos, não está pronto para a experiência catártica de uma aula.
Professor, torne sua aula uma catarse porque é na catarse que esqueço quem sou e aprendo (ou a aula corre o risco de não permanecer). Torne sua aula catártica ou ela corre o risco de se misturar com pensamentos que destroem a mágica da educação. Algo como: “Paguei o aluguel da minha mãe?”, “Será que ela vai terminar comigo?”, “Esqueci o gás ligado?” e “Será que fechei a porta?”.
Não gosto de celulares na sala de aula; eles quebram a ilusão. Aquele aluno que chega atrasado na sala de aula ajuda a quebrar a catarse. Sou a favor de fechar a porta e não deixar que ninguém mais entre. Não é porque “interrompe a aula”; é porque quebra a catarse, a ilusão. Numa cena de Homem-Aranha, Peter Parker chega atrasado ao teatro para ver Mary Jane, sua amada. O homem que recebe Peter Parker sugere que, primeiro, ele amarre o sapato e ajeite a gravata. Em seguida, diz: “ninguém pode se sentar depois que as portas [do teatro] estiverem fechadas. Isto ajuda a manter a ilusão”.
É isso aí: criar uma catarse na aula e convencer os alunos de que as histórias que contamos no palco de uma sala de aula são reais o suficiente para se acreditar. Tornar-nos personagens, como já escrevi em outras edições da Profissão Mestre. A regra é clara: catar-se. Descatar-se. Largar-se. Isso é catarse.
 Texto publicado na edição de maio da revista Profissão Mestre

Conteúdos

Conteúdos
Cesar Augusto Dionisio
Época de efervescência. Parece até que jogaram finalmente o comprimido efervescente da criatividade no copo transbordante da humanidade, e aquelas borbulhas que sobem graciosamente estão respingando em todos, todos nós. É difícil escapar: estamos todos nos tornando produtores compulsivos de conteúdo.
Nossos alunos, munidos de celulares e smartphones, navegando em redes sociais internáuticas, com um olho no Google e outro no game, estão produzindo conteúdo, sim, ainda que nem eles tenham percebido isso. Qual é o banco de imagens de um adolescente de quinze anos? Quinhentas fotos? Mil? Mil e quinhentas fotos?
Por um lado, isto é bom: José de Alencar era um no meio de bem poucos românticos. Picasso era parte de clube seleto de artistas pintores. Mozart, uma referência. Abandonamos a época dos artistas unicelulares e passamos a uma geração de pluralidade de conteúdo. Todos produzem ou podem produzir – basta dirigir-se à loja de departamentos mais próxima.
Ou não? Será que uma máquina fotográfica só faz fotografia nas mãos de um fotógrafo? É verdade que o portador de uma máquina digital já é, por definição de quem quer que seja, um fotógrafo. Aquele que esculpe, no quintal de casa, uma estátua de argila, resultado simples por ter lavado o carro no final de semana, já é um escultor. Aquele que publica um livro, qualquer livro, já é um escritor. Quem começa a ler a Bíblia em praça pública já se intitula líder espiritual. Será isto ou nada disto? Classificar tudo isso em arte ou nada deve ficar a cargo e encargo, dúvida e dívida de cada um? Quem é cada um?
Mas, se por um lado, há uma democracia de acesso dos produtores de conteúdo, que somos todos nós, há uma pergunta básica que merece ser feita: o seu álbum de casamento interessa realmente a todos nós? Porque você insiste, quer e persiste para que nós conheçamos seu vídeo de casamento, no qual eu não conheço ninguém? Não dá para fazer descer garganta abaixo aquilo que me é desimportante e que não me diz respeito. Ou dá? Será que tem mais gente produzindo do que gente assistindo? O palco está mais cheio que a plateia?
Mestre, ocupe-se em produzir conteúdo, pois é chegada a hora. Porém, use sua autocensura. Consegue eleger uma melhor forma de expor o conteúdo de uma aula? Pois, faça-o com rigor, delicadeza, intenção e método, e, se possível, com um conteúdo próprio. Disso dependerá sua habilidade de desenvolver conteúdos e da permissividade benéfica e controlada de uma boa gestão escolar.
Nossos alunos se tornaram produtores de conteúdos tão vorazes que, creio, precisamos aprender com eles. Eles nos ensinam que podemos gerar nossos próprios conteúdos e alimentar, por este meio e método, nossas aulas: assim, devolvemos a eles o que aprendemos com eles mesmos num ato de gratidão.
Ninguém produz conteúdo sem se expor. E esta pode ser uma notícia realmente muito boa. Ao tirar uma foto, o adolescente está dizendo: “estou me amando, estou produzindo, estou vivo”. E isto é bom.
Por outro lado, e por quantos lados esta questão possa ter, será que esses conteúdos todos que estão sendo gerados neste momento perdurarão? O que se ouve é uma gritaria que vem de todos os cantos, todos produzindo conteúdos. O que quero ouvir é o silêncio que virá depois para avaliar com tranquilidade as vozes que permanecerão e que serão audíveis ainda no futuro. Até lá.

Educar é frustrar

Educar é frustrar
Anna Veronica Mautner
Em casa, a gente aprende a comer direito, olhando as outras pessoas da família comerem. Antigamente, aprendia-se a declinar – você, senhor, senhora – em casa; hoje, não sou capaz de dizer. É função familiar ensinar a escolher qual roupa se deve usar em cada lugar e ocasião. Há não muito tempo, quando as escolas ainda tinham uniformes, a gente tinha roupa de sair, roupa de casa, roupa de festa e uniforme de escola.

Dependendo da família, manos eram irmãos e irmãos eram manos. A dona de casa chamava para a refeição, para a mesa ou para a hora de comer. Quando se falava da moradia, uns diziam “lá em casa”, “na nossa casa”, “entre nós”. Eu poderia citar muitas outras expressões características de certos grupos que hoje a gente chama de tribo. Varia mais ainda a denominação usada para funcionários do lar: criada, doméstica, serviçal, empregada, aquela que trabalha em casa e os mais envergonhados, que se vexam por ter esse tipo de ajuda, as chamam de secretárias.

Na verdade, cada uma das expressões que fui citando se refere não só a tribos, mas também à origem social. Tudo isso a criança já leva para a escola quando chega a seus portões. Lá, ela adquirirá outros referenciais, por exemplo: se ela tiver sido condicionada a não interromper a fala dos outros, vai ser menos difícil a sua adaptação ao coletivo escolar. Na escola, com certeza, ela aprenderá a escutar, a não interromper, a falar na sua vez, a pedir desculpa por quaisquer atropelos. Pela frequência com que se cruzam, os alunos de uma escola têm que ganhar essas sabedorias. Cabe à escola, além de ensinar conteúdos e modos de convívio, também fazer com que as crianças adquiram posturas que favoreçam a aprendizagem e a memorização. Tem hora de distrair, tem hora de criar, tem hora de memorizar e tem hora de assimilar. Exagerando, eu diria que a cada etapa dessas corresponde uma organização muscular e postural.

Desde os tempos de São Tomas, quando as aulas coletivas foram instauradas oficialmente, viu-se que colocar os alunos em fileiras, uns olhando as costas dos outros, evitava distração. Uns atrás dos outros elimina a crítica alheia e cria um vínculo como se fora pessoal com o professor. No século XX, quando a criatividade foi acrescentada ao currículo como aptidão necessária, o estudo em roda pareceu ser o mais adequado. Na roda, são todos com todos. Um ângulo reto entre braço e antebraço permite escrever com mais facilidade e respirar com fluidez. Essa mesma postura também é mais adequada para mesa de refeições.

Temas aparentemente díspares como linguagem, postura e hábitos cotidianos são aprendidos ora em casa, ora na escola. O difícil é estabelecer, exatamente, o que deve ser ensinado onde.

Muito mais eu poderia escrever sobre a interação escola/família, mas fica para outro dia.

Texto publicado na edição de março de 2011 da revista Profissão Mestre.


sábado, 12 de janeiro de 2013

TRANSPOSIÇÃO – PL prevê enquadramento dos funcionários do ex-território de Rondonia com 100% do salário federal

TRANSPOSIÇÃO – PL prevê enquadramento com 100% do salário federal
Publicado em: 13 de novembro de 2012
 O Projeto de Lei a ser encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional estabelecendo as regras da transposição dos servidores para a folha da União prevê enquadramento com salário de servidor federal do ex-território já a partir de 2014. A proposta anterior apresentada pelo governo era de 50% do enquadramento em 2014 e os outros 50% em 2015.
A alteração no texto, por ser mais benéfica aos servidores, foi feita unilateralmente pelo governo federal e teve a aprovação dos sindicalistas e da bancada federal.
O texto do Projeto de Lei foi lido na manhã desta quinta-feira (08/11) em reunião no Palácio do Planalto, da qual participaram os sindicalistas e a bancada federal, representada pelo senador licenciado Valdir Raupp, senador Tomás Correia, e pelos deputados federais Mauro Nazif, Marinha Raupp, Marcos Rogério, Carlos Magno e Natan Donadon.
De acordo com o presidente do Sintero, Manoel Rodrigues, o Projeto de Lei confirma a transposição dos servidores contratados até 15 de março de 1987 já no início do ano de 2013, traz as tabelas salariais dos servidores federais do ex-território e poderá receber outra alteração para incluir os servidores municipais.
De qualquer modo, Manoel pediu urgência no envio do PL ao Congresso Nacional para que os servidores possam ter acesso ao termo de opção e assim ter todas as informações necessárias para decidir, se optam ou não pela transposição.
Durante a reunião com o Chefe de Gabinete da Casa Civil da Presidência da República, o governo se compromete em enviar o Projeto de Lei ao Congresso nos próximos dias.
O senador Valdir Raupp garantiu que se o PL for enviado com pedido de prioridade pode ser votado ainda neste ano em regime de urgência.
“Nós amos continuar lutando. Vamos continuar cobrando e pressionando. Já está provado que aqui em Brasília a coisa só anda se tiver pressão”, disse Manoel.
“Estamos trabalhando com o aval e com o apoio dos servidores que participam das lutas, que vão às assembleias, e que acreditam que as conquistas só serão obtidas com muita luta”, finalizou o presidente do Sintero.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O que faz uma escola ser bem sucedida?

O que faz uma escola ser bem-sucedida? Como uma escola estadual do interior de Santa Catarina conseguiu dobrar de um ano para o outro a jornada de todos os alunos de2ª, 3ª e 4ª séries com sucesso? Qual a receita de uma escola particular criada há 40 anos na capital de São Paulo para permanecer atual a ponto de ser considerada um centro de referência? Embora atuando em regiões diferentes e seguindo modelos educacionais distintos, ambas atribuem os bons resultados à mesma razão: a proposta pedagógica, construída coletivamente e concretizada num bom planejamento. A proposta pedagógica é a identidade da escola: estabelece as diretrizes básicas e a linha de ensino e de atuação na comunidade. Ela formaliza um compromisso assumido por professores, funcionários, representantes de pais e alunos e líderes comunitários em torno do mesmo projeto educacional. O planejamento é o plano de ação que, em um determinado período, vai levar a escola a atingir suas metas. Do planejamento, depois, sairão os planos de aula, adaptados ao cotidiano em classe.

Pequena Constituição
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 diz que a proposta pedagógica é um documento de referência. Por meio dela, a comunidade escolar exerce sua autonomia financeira, administrativa e pedagógica.Também chamada de projeto pedagógico, projeto político-pedagógico ou projeto educativo, a proposta pedagógica pode ser comparada ao que o educador espanhol Manuel Álvarez chama de "uma pequena Constituição". Nem por isso ela deve ser encarada como um conjunto de normas rígidas. Elaborar esse documento é uma oportunidade para a escola escolher o currículo e organizar o espaço e o tempo de acordo com as necessidades de ensino. Além da LDB, a proposta pedagógica deve considerar as orientações contidas nas diretrizes curriculares elaboradas pelo Conselho Nacional da Educação e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Para Álvarez, o ideal é que o documento seja o resultado de reflexão coletiva. E como chegar ao consenso? "Proporcionando espaços para que cada uma das partes exponha seus objetivos e interesses com base nos princípios educativos com os quais todos concordam", diz o educador. Esse esforço conjunto harmoniza as diferenças entre os grupos que compõem a escola. Um dos desafios para chegar a bom termo nessa elaboração, observa o educador francês Bernard Charlot, é manter a coerência entre a teoria e a prática. "De que vale um discurso pedagógico do tipo construtivista e práticas que o contradizem?", questiona Charlot. Manter a proposta pedagógica e o planejamento escolar atualizados é a recomendação feita pela educadora Madalena Freire, de São Paulo. "Tanto a proposta como o planejamento são processuais e devem correr em paralelo com a construção do conhecimento", diz ela. Isso impede que os dois documentos se transformem em instrumentos engavetados, só revistos no fim do ano. Essa burocratização leva muitos professores a considerar ambos como desnecessários e inviáveis. "O planejamento serve como roteiro para os professores, permitindo aplicar no dia-a-dia a linha de pensamento e ação da proposta pedagógica", afirma Ilza Martins Sant'Anna, professora da Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras. O que não significa determinar uma forma única de planejar todas as disciplinas: a avaliação dos erros e acertos é que vai permitir a melhor escolha. Para planejar, observa Madalena, é importante cada professor dominar o conteúdo de sua matéria - mas isso de nada valerá se ele não escutar os alunos e não valorizar o que já conhecem. O professor deve sempre se perguntar: o que meus alunos já sabem? O que ainda não conhecem? O que, como e quando ensinar? Onde ensinar? Com base nas respostas, ele propõe atividades que façam sentido para os estudantes daquela comunidade. Se for uma aula de literatura, por exemplo, lembre-se de que os alunos de uma escola da periferia não têm o mesmo contato com livros que os de uma escola de classe média. Você precisa valorizar o saber do grupo e, após cada atividade, refletir sobre sua prática. Em vez de atribuir aos alunos incapacidade de aprender, o ideal é que você analise as próprias inadequações ao ensinar.

Revisão periódica
Geralmente feito no início do ano ou do semestre para abranger todo o período, o planejamento pede acompanhamento constante, na opinião de Madalena. O trabalho deve ser reavaliado em reuniões quinzenais com a participação de toda equipe e sob a liderança do coordenador. Uma primeira avaliação geral pode ser feita no final do primeiro bimestre para corrigir desvios e lançar bases para o resto do período. Nesse momento, os professores checam se os conteúdos são fundamentais para o aprendizado; se há articulação entre os segmentos (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio); se as reuniões pedagógicas estão sendo bem aproveitadas e se o planejamento favorece o envolvimento da família e da comunidade na escola.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ensino Médio por Blocos

Ensino médio também muda
Manoela Alcântara - Correio Braziliense - 29/11/2012 - Brasília, DF
A educação básica na rede pública de ensino do Distrito Federal pode sofrer mudanças em 2013. Estão em discussão a adoção do aprendizado em ciclos até o 9º ano e a implementação de um modelo de blocos de disciplinas para o ensino médio. O Sindicato dos Professores (Sinpro) teve acesso ao novo formato estudado para as escolas e se preocupa com a possível aprovação de um projeto sem uma discussão com a sociedade.
De acordo com o diretor do sindicato, Washington Dourado, o estudo em ciclos acabaria com a reprovação em diversas séries. Os alunos só seriam avaliados com a possibilidade de retenção entre o 5º e o 6º ano e no fim do 9º. Nas últimas séries antes do vestibular, a divisão seria diferente. “O ensino médio seria dividido em blocos, segundo informado por integrantes do grupo de trabalho da Secretaria de Educação. Em um semestre, o aluno estudará um conjunto de disciplinas, no semestre seguinte, outro. Por exemplo, se aprender exatas no primeiro, terá humanas no segundo”, explicou.
Dourado ressalta que integrantes do grupo de trabalho preveem mudanças já para o ano que vem. “Nossa maior reclamação é fazer isso a toque de caixa, sem preparar a rede pública, sem discutir com a sociedade”, disse. O modelo aplicado seria similar ao Bloco Inicial de Alfabetização (BIA) (veja Para saber mais) já implementado no DF para as três séries iniciais do ensino fundamental, quando não há retenção. “A intenção da secretaria é reproduzir o BIA nos ciclos seguintes, mas para o professor é um desafio, principalmente porque estamos acostumados com a seriação. Precisamos de tempo para discutir essas possíveis alterações”, exemplificou.
O sindicalista afirma que não vai julgar o mérito da possível proposta, mas reivindica informações oficiais e participação da sociedade na formação da política. “Queremos debater, conhecer, analisar o que será feito na rede pública do DF”.
Os temores, no entanto, não são confirmados pela Secretaria de Educação do DF. A pasta informou, por meio de nota, que mantém um grupo de trabalho para discussão e organização do sistema, que busca constantes melhorias para o ensino público do DF, mas negou ter um plano pronto para 2013. “As discussões são necessárias para se alcançar propostas para uma mudança de qualidade no ensino-aprendizagem. Neste momento, não existe nenhuma proposta concreta de mudança no currículo pedagógico da rede pública de ensino”, diz o documento.
Prós e contras
Embora não haja confirmação das mudanças, especialistas ouvidos pelo Correio ressaltam pontos positivos e negativos do aprendizado em ciclos. Eles concordam que uma política tão diferente da atual precisa ser implementada com cuidado. A professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Benígna Villas Boas é a favor da forma diferente de organização, mas dentro de um sistema voltado para o aprendizado e com estrutura para o modelo.
Ela ressalta que as escolas precisam ter condições de trabalho melhores que as atuais para o início do sistema em ciclos. Além disso, analisa que é necessário ter professores, gestores e equipes pedagógicas muito bem preparados. “A escola não foi feita para reprovar, mas para que os estudantes aprendam. Se o conteúdo é bem assimilado, eles estarão preparados para enfrentar qualquer seleção e para qualquer situação da vida.”
No entanto, a professora Lêda Gonçalves de Freitas, da Universidade Católica de Brasília (UCB), tem ressalvas quanto às possíveis mudanças. “A proposta é bem democrática, mas a realidade dos ciclos não tem resolvido o problema da aprendizagem nas escolas. Tem, muitas vezes, adiado a reprovação e isso é sério”, afirma. Para ela, antes de fechar um novo programa, uma pergunta essencial deveria ser feita: “O que precisamos fazer para que nossas crianças aprendam melhor?”.