quarta-feira, 27 de novembro de 2013

UM BILHÃO EM BOLSAS PARA CAPACITAR PROFESSORES

Governo oferecerá R$ 1 bilhão em bolsas para capacitar professores
·         Descrição: Diogo Alcântara
Diogo Alcântara
O ministro da Educação (MEC), Aloizio Mercadante, anunciou nesta segunda-feira um pacto realizado entre o governo federal e os governos estaduais para a melhoria do ensino médio. Com orçamento de R$ 1 bilhão, o MEC vai oferecer cursos de aperfeiçoamento e oferecer como estímulo uma bolsa de R$ 200 por docente.
“É pouco. É o que podemos fazer hoje”, reconheceu o ministro, que fez um mea culpa ao dizer que “não temos mais espaço hoje para cortar uma área do MEC”. Mercadante ponderou, no entanto, que o valor representa mais de 10% do que ganham muitos professores no País.
Além da bolsa, os professores passarão por um curso de formação dividido em diferentes etapas ao longo do ano. Estão aptos a participar todos os professores de ensino médio, um universo atual de 405 mil docentes. A meta do governo é melhorar indicadores de fluxo e proficiência no ensino médio. 
Os cursos serão incluídos dentro do terço da jornada de trabalho dos professores voltadas a atividades de fora da sala de aula, como preparação de aulas e correção de provas. Para um professor que trabalhe 40 horas semanais, por exemplo, o curso deverá ocupar pelo menos três horas de sua semana de trabalho. Os professores receberão ainda tablets com material didático digital.  
Mudança na formação
O ministro Aloizio Mercadante antecipou ainda que pretende mudar os cursos de pedagogia e de licenciatura. “Queremos e vamos mexer na formação inicial dos professores”, afirmou o ministro. “Não podemos continuar formando professores sem vivência de sala de aula”. Ele não deu detalhes, no entanto, de como serão realizadas as mudanças e nem quando.

Terra

As cinco escolas públicas de melhor desempenho no ENEM

Enem: 5 escolas públicas com melhor desempenho são técnicas
·         Mariana Tokarnia
As cinco escolas públicas estaduais com melhor desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012 estão em São Paulo, segundo planilha divulgada nesta terça-feira pelo Ministério da Educação (MEC). Todas são escolas técnicas, ou seja, o estudante recebe formação específica em determinada área durante o ensino médio.
A Escola Técnica Estadual de São Paulo lidera o ranking das estaduais, com uma média de 664,45, em uma escala que vai até 1.000. Em seguida, o Colégio Técnico de Campinas, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com uma média de 660,09. Em terceiro lugar, o Colégio Técnico Industrial Professor Isaac Portal Roldan, com 645,59, e, em quarto, o Colégio Técnico Industrial de Guaratinguetá Professor Carlos Augusto Patrício Amorim, com 637,23, ambos da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em quinto, a Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas, com 630,53.
Para a elaboração da planilha, o MEC considerou 11,2 mil escolas, todas com mais de 50% de participação no exame. Para elaborar o ranking, a Agência Brasil considerou as médias nas quatro competências do exame: linguagens e códigos, matemática, ciências humanas, ciências da natureza, que seguem o mesmo critério de correção. A nota na redação não foi incluída no cálculo.
Com base na seleção, é nas escolas estaduais que está a maioria dos concluintes que participaram do Enem, 65,53% dos estudantes. As escolas da rede representa, 52,55% dos centros de ensino participantes.
No ranking geral, no entanto, as cinco primeiras escolas estaduais ocupam os 53º, 66º, 132º, 208º e 293º lugares. No topo do ranking geral estão as escolas privadas. Os mineiros Colégio Bernoulli, com uma média de 722,15 pontos e o Colégio Elite Vale do Aço, com uma média 720,88, aparecem em primeiro e segundo lugar. Em terceiro, o Colégio de São Bento, no Rio de Janeiro, com 712,79.
Em relação à redação, o Colégio São Bento aparece em primeiro lugar, com 810,53 pontos na média, seguido pelo Colégio Cruzeiro, Unidade Centro, também no Rio de Janeiro, com 798,35. Em terceiro, o Colégio Helyos, na Bahia, com 792,9 pontos. Os três são da rede privada. Entre as públicas estaduais, os melhores desempenhos na redação são da Escola Técnica Estadual de São Paulo, com 695,14 pontos, seguida pelo paulista Colégio Técnico e Lorena, com uma média de 693,6 e pelo Colégio Técnico Industrial Professor Isaac Portal Roldan, com 680,78.
No ranking geral da redação, as estaduais ocupam posições inferiores às do ranking geral das provas objetivas. Estão nas 206ª, 221ª e 324ª posições.
Segundo o MEC, a intenção da divulgação é que as escolas possam identificar os pontos frágeis no aprendizado e com isso fazer uma revisão pedagógica. Desde ontem, as escolas e os candidatos que fizeram as provas em 2012 podem consultar no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) um mapa detalhado do desempenho no Enem.
Agência Brasil

Bolsa de R$ 200,00 para professores e mudança nos cursos de Pedagogia e Licenciaturas

Governo oferecerá R$ 1 bilhão em bolsas para capacitar professores
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Diogo Alcântara
O ministro da Educação (MEC), Aloizio Mercadante, anunciou nesta segunda-feira um pacto realizado entre o governo federal e os governos estaduais para a melhoria do ensino médio. Com orçamento de R$ 1 bilhão, o MEC vai oferecer cursos de aperfeiçoamento e oferecer como estímulo uma bolsa de R$ 200 por docente.
“É pouco. É o que podemos fazer hoje”, reconheceu o ministro, que fez um mea culpa ao dizer que “não temos mais espaço hoje para cortar uma área do MEC”. Mercadante ponderou, no entanto, que o valor representa mais de 10% do que ganham muitos professores no País.
Além da bolsa, os professores passarão por um curso de formação dividido em diferentes etapas ao longo do ano. Estão aptos a participar todos os professores de ensino médio, um universo atual de 405 mil docentes. A meta do governo é melhorar indicadores de fluxo e proficiência no ensino médio. 
Os cursos serão incluídos dentro do terço da jornada de trabalho dos professores voltadas a atividades de fora da sala de aula, como preparação de aulas e correção de provas. Para um professor que trabalhe 40 horas semanais, por exemplo, o curso deverá ocupar pelo menos três horas de sua semana de trabalho. Os professores receberão ainda tablets com material didático digital.  
Mudança na formação
O ministro Aloizio Mercadante antecipou ainda que pretende mudar os cursos de pedagogia e de licenciatura. “Queremos e vamos mexer na formação inicial dos professores”, afirmou o ministro. “Não podemos continuar formando professores sem vivência de sala de aula”. Ele não deu detalhes, no entanto, de como serão realizadas as mudanças e nem quando.

Terra

Aprovado Projeto de Reformulação do Ensino Médio

Comissão da Câmara aprova projeto de reformulação do ensino médio
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A comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a reformulação do ensino médio aprovou nesta terça-feira o relatório final do deputado Wilson Filho (PTB-PB). Entre outros pontos, o relatório altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação para propor a adoção do ensino médio integral para 50% dos alunos da etapa de ensino no prazo de cinco anos após a aprovação da matéria. O objetivo é que em 10 anos, a totalidade das escolas deverá oferecer o ensino médio com sete horas diárias de atividades em sala da aula.
Outra mudança determina que a grade curricular seja dividida por áreas de conhecimento e não mais por disciplinas. No último ano do ensino médio, os estudantes poderão escolher um destes segmentos: linguagens; matemática; ciências da natureza e humanas; ou, ainda, optar pela formação profissional. Além disso, o aluno, ao concluir o ensino médio, poderá cursar novamente o 3º ano, priorizando uma outra área do conhecimento.
Serão tratados como temas transversais: prevenção ao uso de drogas; educação ambiental; ensino para o trânsito; educação sexual; cultura da paz; empreendedorismo; noções básicas da Constituição Federal e do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90); ética na política; participação política; democracia e exercício da cidadania.
O relatório estabelece ainda que o ensino médio noturno só poderá ser cursado por pessoas com mais de 18 anos e terá uma carga reduzida de quatro horas diárias, com duração de quatro anos. O projeto de lei será analisado por outra comissão especial, que será criada especificamente para esse fim. Depois, a proposta, se aprovada, seguirá para o Plenário da Casa.
A comissão foi criada para propor melhorias para o período considerado crítico no ensino. Em 2012, 8.376.852 alunos estavam matriculados regularmente e 1.345.864 cursavam o ensino médio pelo Educação de Jovens e Adultos (EJA), de acordo com o Censo Escolar. A maioria das matrículas do ensino médio está na rede estadual de ensino (84,9%). As escolas privadas ficam com 12,7% das matrículas, as escolas federais com 1,5% e as municipais com 0,9%.
A defasagem idade-série ainda é alta. Segundo o Ministério da Educação (MEC), em 2012, dos estudantes matriculados no período, 31,1% têm idade acima do esperado para a série que cursam. Ontem, a pasta anunciou o investimento de R$ 1 bilhão no Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, que prevê a formação continuada de professores do ensino médio público.
Agência Brasil

quinta-feira, 13 de junho de 2013

QI acima da média

Após projetar avião, garoto de 10 anos disputa título de gênio mirim
BBCBrasil.com - Terra Educação - 11/06/2013 - São Paulo, SP
A maioria dos pais fica orgulhosa de seus filhos e acha secretamente que eles são mais inteligentes do que seus amigos. Mas alguns deles realmente são pais de gênios.
Hugo, 10 anos, é um dos participantes de um concurso da Mensa, a associação internacional que reúne pessoas que obtém, em testes padrão de QI, um índice de acerto de 98% ou superior.
Ele é uma das 21 crianças entre 7 e 11 anos que estão competindo pelo título de gênio mirim da Grã-Bretanha. O garoto é um entusiasta de trens e de engenharia e até já projetou um avião inteiro, que pretende fabricar quando for mais velho.
`Fico entediado com alguns tipos de tarefas. Eu geralmente faço as tarefas da escola muito rapidamente e às vezes pego trabalho extra`, disse Hugo à BBC.
A mãe dele, Michelle Goodwill, disse que `ele sempre deu trabalho. Quando nossos amigos souberam que estávamos esperando outro bebê, acharam que estávamos loucos`.
Vida social
Mesmo depois de perceberem que o garoto tinha inteligência acima do normal, Michelle conta que ela e o pai de Hugo se esforçaram para que ele tivesse uma vida social com os colegas de escola.
`Sempre quisemos que ele fosse normal, então sempre nos esquivamos de atividades em grupo com outras crianças superdotadas, como as da Mensa e coisas do tipo. Então foi por sorte que caímos lá, porque uma amiga me disse que, se Hugo fosse o filho dela, ela se envolveria na Mensa.`
`Queremos que ele seja o mais normal possível, porque é assim que se fazem amigos, se faz sucesso, se fica popular. Mas se você se tornar muito `exclusivo` e só andar com pessoas muito inteligentes o tempo todo, não estará tão envolvido socialmente`, disse ela.
Entre os adversários de Hugo no concurso está um prodígio do xadrez de oito anos e uma menina conhecida como `ábaco humano`, por ser mais rápida que uma calculadora.
O garoto diz ainda que não se sente sozinho, mesmo estando à frente dos colegas na escola, e afirma ter `muitos amigos`.
Perguntado se os próprios pais são inteligentes, ele responde. `Eles estão na média, acho. Meu pai está um pouco acima da média e minha mãe tem inteligência, o que é bom`, diz.
Sinais
Um dos sinais de que uma criança pode ser superdotada parece ser que não é possível impedi-la de aprender mais rápido do que as outras.
A consultora da Mensa britânica Lyn Kendall diz ter percebido que seu filho Chris, hoje com 30 anos, tinha inteligência acima da média quando o descobriu quando criança aprendendo sozinho a escrever pela manhã, antes que o resto da família tivesse acordado.
Aos quatro anos, ele preferia ler obras de Charles Dickens na escola em vez de brincar com outras crianças. `Crianças superdotadas geralmente preferem a companhia de crianças mais velhas ou de adultos`, diz Kendall.
A instituição lista ainda outras características que podem indicar um QI acima da média, que incluem uma memória incomum, um conhecimento mais profundo de determinados assuntos, um senso de humor altamente desenvolvido, aptidão especial para música ou artes e a vontade de estar no controle.
A série Child Genius, que irá ao ar no canal de TV britânico Channel 4 nesta terça-feira, acompanhará o dia a dia e os desafios das famílias das crianças superdotadas que participam da competição da Mensa.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Desinteresse pelo magistério

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Uma pesquisa feita na Universidade de São Paulo (USP) mostra que metade dos alunos de licenciatura nas áreas de matemática e física não pretende ou tem dúvidas quanto a seguir a carreira de professor de educação básica. Dos que cursam licenciatura em física, 52% não pretendem ser professores ou tem dúvidas. Em matemática, o percentual é 48%. A pesquisa ouviu um total de 512 estudantes recém-ingressantes da USP, incluindo também alunos de pedagogia e medicina.

A pesquisa Atratividade do Magistério para a Educação Básica: Estudo com Ingressantes de Cursos Superiores da USP, da pedagoga e mestre em educação pela Faculdade de Educação da USP Luciana França Leme selecionou as duas disciplinas de licenciatura em função da escassez de professores nas áreas de exatas. A estimativa do Ministério da Educação (MEC) é que o déficit de professores nas áreas de matemática, física e química seja de cerca de 170 mil.

A baixa remuneração do magistério, as más condições de infraestrutura das escolas e o desprestígio social da profissão estão entre os motivos apontados pelos estudantes para a falta de interesse em seguir a carreira. Segundo a pedagoga, a dificuldade de implementar em sala de aula o ensino da matemática e da física e a concorrência com profissões como as do mercado financeiro também afastam das salas de aula quem se forma nessas áreas.

“Pesquisados disseram que escolheram o curso porque gostam de matemática e física. Mas gostar é uma coisa, outra é o ensino dessas matérias que engloba habilidade como o pensar a matemática, as ciências, e saber ensinar a matemática e verificar como o aluno está aprendendo”, destacou. “Outro fator é o mercado de trabalho. Um aluno formado na USP, nessas disciplinas, pode trabalhar com pesquisa, pós-graduação, no mercado financeiro. A profissão de docente acaba concorrendo com outras opções”, disse Luciana França Leme. A questão de gênero também é apontada pela pesquisadora. “Física e matemática tem muitos alunos homens e as mulheres seguem mais a carreira de professor.”

Na avaliação da pesquisadora, reverter esse quadro de desinteresse pelo magistério requer um plano de atratividade com metas claras e de longo prazo. “É importante uma articulação de vários fatores, igualar os salários com os de profissionais com a mesma formação, reconhecimento e fortalecimento profissional, e despertar o interesse pela profissão ao longo da vida estudantil”, disse.

A carência de professores nas áreas de exatas como matemática, física, química e biologia é uma preocupação do Ministério da Educação (MEC) que elabora um programa para, desde o ensino médio, atrair os estudantes a seguirem o magistério nessas áreas. O programa terá oferta de bolsas de auxílio e parceria com universidades, como adiantou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados, em abril.
 Edição: Lílian Beraldo
Yara Aquino - Agência Brasil - 05/05/2013

As curas para a educação

20/12/2012
As curas para a educação
Fabio Torres
Entrevista com Anna Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec),   

Na medicina, antes que o jovem possa atuar como um médico ele deve passar por um período de residência, no qual aprende ainda mais sobre a especialização escolhida. Em alguns países, tal processo já é adotado para a formação dos professores, e para Anna Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), esse é um modelo que poderia ser adotado no Brasil para melhorar o ensino, aumentando a confiança do educador e orientando-o ao longo do processo antes mesmo que ele assuma seu papel na sala de aula.
No cargo desde abril de 2011, Anna Helena conversou com exclusividade com a Profissão Mestre sobre este e outros temas, tais como o atraso na aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), as falhas na formação continuada dos professores, a importância das competições escolares e a questão de como superar o atraso escolar, apontado como um dos maiores problemas a serem corrigidos no Brasil nos próximos anos.
Profissão Mestre: O Plano Nacional de Educação já está com dois anos de atraso e ainda não foi aprovado. Essa lentidão pode prejudicar a sua execução?
Anna Helena Altenfelder: O PNE define diretrizes e metas para a educação para o decênio 2011- 2020, bem como as estratégias para alcançá-las. Trata-se de um instrumento para o planejamento da política educacional a partir de uma perspectiva de longo prazo, de modo a assegurar a construção de uma política de Estado e não de governo. O Plano Nacional traça as linhas gerais, a partir das quais estados e municípios – níveis de governo responsáveis pela oferta da educação básica – devem elaborar seus planos de educação. O atraso na sua aprovação encurta o tempo para formulação de políticas e adoção de estratégias direcionadas para o cumprimento das metas previstas. No caso da educação, o tempo se constitui como elemento essencial, na medida em que as políticas só surtem efeito em médio ou longo prazo. A morosidade na aprovação do Plano também representa um fator de desmobilização social, já que, no seu processo de elaboração, representantes dos diferentes segmentos participaram ativamente dos debates em conferências nos municípios, estados e na etapa nacional – mobilização importante para o cumprimento das metas, a qual se perde na lentidão imposta pelo jogo político.
Profissão Mestre: O que surtiria mais efeito na educação brasileira: mais investimentos ou uma gestão melhor e mais eficiente dessa verba?
Anna Helena: A educação brasileira pede, sem dúvida, uma gestão mais eficiente dos recursos, mas também não pode deixar de ter mais investimentos – e a comparação do valor investido por aluno na educação básica no Brasil com os [valores] de outros países que apresentam ensino público de qualidade reforça isso. O custo aluno-qualidade, indicador desenvolvido pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação que leva em consideração os fatores essenciais para garantia do direito à educação de qualidade, também mostra que estamos muito aquém do investimento mínimo necessário por estudante.
Profissão Mestre: Um relatório do Todos pela Educação revelou que o atraso escolar é o maior desafio do Brasil nos próximos 10 anos. O que pode ser feito para superar este obstáculo?
Anna Helena: É preciso descartar definitivamente a ideia de que a reprovação é uma estratégia que contribui para o aprendizado do aluno. Pelo contrário. A reprovação obriga o aluno a repassar os mesmos conteúdos do ano anterior, gerando desinteresse pela escola, desestimulando o estudo e causando na criança/adolescente um sentimento de inferioridade perante os pares. Ou seja, recai sobre o aluno toda a responsabilidade pelo seu fracasso escolar. Além de ineficaz do ponto de vista da aprendizagem, a reprovação onera o sistema, impede a abertura de novas vagas e em muitos casos promove a evasão escolar. Diferentes estratégias podem ser utilizadas para que o aluno que não apresentou o aprendizado esperado recupere esse conteúdo: aulas de reforço e acompanhamento pedagógico contínuo ao longo do ano são duas medidas possíveis, além da implantação de programas de progressão continuada e de correção de fluxo, que visam diminuir a distorção idade-série.
Profissão Mestre: A formação de professores no Brasil possui graves falhas. Em outros países, os educadores passam por um período de residência antes de iniciarem o magistério. Um plano como este daria certo no ensino público brasileiro?
Anna Helena: O acompanhamento e supervisão do trabalho do professor em início de carreira constituem-se como elementos importantes para a preparação docente para atuação em sala de aula. Oferecer esse suporte ao professor permite que ele ganhe aos poucos confiança e seja orientado em relação a aspectos de sua prática que precisam ser aprimorados. A residência pedagógica é um instrumento interessante na formação de professores e cumpre um pouco a função antes atribuída ao estágio supervisionado, pensado como um momento de vivência prática da teoria no último ano de graduação. Entretanto, é uma estratégia que deve ser precedida por uma sólida formação tanto em torno dos conteúdos sobre os quais ele irá lecionar como também das competências para o trabalho em sala de aula. O maior problema da deficiente formação inicial dos professores exige, portanto, uma reformulação dos currículos de Pedagogia, no sentido de promover um maior equilíbrio entre teoria e prática, que leve em conta o aluno do século XXI e as questões colocadas pelo mundo contemporâneo. Também é preciso assegurar a qualidade dos cursos de formação de professores, por meio de um monitoramento e avaliação externa por parte do Ministério da Educação (MEC).
Profissão Mestre: Por que os cursos e atividades que compõem a formação continuada dos professores nem sempre surtem o efeito desejado?
Anna Helena: Porque muitas vezes não dialogam com as reais necessidades dos professores, pautando-se naquilo que seus organizadores, seja a academia ou órgãos governamentais, julgam ser importante que os participantes aprendam, ou desenvolvam. Os processos formativos não podem se restringir apenas aos conhecimentos científicos e a uma prescrição de sua aplicabilidade na realidade educacional. É preciso levar em conta, também, as dimensões políticas e subjetivas, ou seja, devem ser planejadas e organizadas a fim de possibilitar mudanças nas formas de pensar, agir e sentir do professor. Por outro lado, a formação continuada precisa ser assumida pelos professores como uma atitude e um valor, como parte integrante e indispensável da sua atividade. É preciso que eles reconheçam a contribuição que os processos formativos podem trazer para o seu desenvolvimento profissional. Os eventos de formação continuada só são efetivos na medida em que possibilitam a construção e reconstrução de novos conhecimentos e práticas pedagógicas, a apropriação de novos recursos e estratégias para ensinar e o estabelecimento de relações mais próximas e cooperativas entre professores e alunos, bem como maior conhecimento e entendimento da comunidade na qual a escola se insere.
Profissão Mestre: A sua tese de doutorado teve como base a Olimpíada de Língua Portuguesa. Quais foram as conclusões da sua pesquisa?
Anna Helena: O objetivo do trabalho foi analisar em que medida as orientações teóricas e as atividades propostas afetam a prática e as concepções do professor sobre o ensino de produção de texto. Este material, que é distribuído a todos os professores participantes, traz uma sequência didática que orienta, passo a passo, como ensinar os alunos a produzir um determinado gênero de texto. A análise feita revelou que, ao realizar as atividades propostas, os professores puderam fazer descobertas acerca da necessidade e da importância de se partir dos conhecimentos prévios dos alunos, considerar sua realidade, estabelecer e compartilhar objetivos, planejar cuidadosamente as etapas que serão percorridas, avaliar e acompanhar a aprendizagem dos alunos. Ou seja, a experiência contribuiu para a ampliação da consciência do papel de mediador do professor. A partir disso, novos significados e sentidos sobre a importância da própria atividade no processo de aprendizagem dos alunos foram construídos pelos professores, o que gerou novas necessidades que os impulsionaram a rever sua prática, buscar novos conhecimentos, pensar em novas estratégias de ação. Enfim, a experiência despertou um compromisso de se trabalhar com os alunos aquilo que aprendeu, como apontou um dos participantes. Foi possível constatar, também, que os professores não só valorizam as orientações recebidas como também apontam a necessidade que sentem de serem orientados. Esses profissionais avaliam que instrumentos e prescrições são importantes para o desenvolvimento de sua atividade, o que desmistifica uma ideia bastante difundida no contexto educacional de que materiais didáticos fecham possibilidades da atividade.
Profissão Mestre: Como tornar a carreira no magistério algo desejável para os jovens?
Anna Helena: Tornar o magistério uma carreira atrativa passa certamente por um processo de valorização da profissão, seja em termos de remuneração, seja em termos de prestígio social. A instituição de um piso nacional pelo MEC é uma primeira medida nesse sentido, porém é preciso ir muito além. Os estados e municípios devem (re)formular os planos de carreira dos profissionais da educação, apresentando aos docentes perspectivas de ascensão profissional e desvinculando esse crescimento à saída da sala de aula (já que em muitos casos os postos mais altos são vinculados à coordenação pedagógica e direção). Também é necessário garantir aos professores condições adequadas de trabalho, que vão desde infraestrutura até formação continuada. É preciso ainda criar uma mobilização social em torno da educação, baseada na convicção de que ela se constitui como elemento essencial para transformar o Brasil no País que desejamos. Só assim – quando a educação se tornar prioridade na definição das políticas públicas, na rotina das famílias e no projeto de vida dos indivíduos – a valorização da figura do professor será possível.

extraída da Revista Profissão Mestre.

domingo, 24 de março de 2013

Tabela de contrapartida do Plano de Saúde(Servidores federais)

PLANO DE SAÚDE A PARTIR DE JANEIRO DE 2013
Remuneração
 Idade
Faixa 01
00-18
Faixa 02
19-23
Faixa 03
29-33
Faixa 04
39-43
Faixa 05
34-38
Faixa 06
39-43
Faixa 07
44-48
Faixa 08
49-53
Faixa 09
54-58
Faixa 10
59 ou +
0000  -1.499
121,94
127,69
129,42
134,60
138,22
143,22
154,98
157,44
159,90
167,70
1.500 -1.999
116,19
121,94
123,67
127,69
131,72
136,32
149,76
149,76
152,10
159,90
2.000 -2.499
110,44
116,19
118,92
121,94
125,97
130,57
139,86
142,08
144,30
152,10
2.500 -2.999
105,84
110,44
112,16
116,19
120,22
124,82
133,56
135,68
137,80
144,30
3.000 -3.999
100,08
105,84
107,56
110,44
114,46
119,07
127,26
129,28
131,30
137,80
4.000 - 5.499
  90,88
  93,18
  94,92
 95,48
  99,51
104,11
105,84
107,52
109,30
111,80
5.500 -7.499
  87,43
  88,58
  90,31
 90,88
  94,91
  99,51
100,80
102,40
104,00
106,60
7.500 ou +
  82,83
  83,98
  85,70
 86,28
  90,31
  94,91
  95,76
  97,28
  98,80
101,40